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Reportagem da Folha de São Paulo:
O jornal teve acesso a um grampo da Polícia Federal que sugere que Moraes agiu como uma espécie de advogado informal do desembargador Alexandre Victor de Carvalho. À época, o hoje ministro do STF era secretário de Segurança Pública do governo de São Paulo.

Nas conversas, Moraes trata com Carvalho sobre sua defesa e diz que vai conversar com ministros do Supremo sobre o caso do desembargador, alvo de um processo que poderia lhe custar o cargo por, supostamente, ter usado de sua influência para empregar parentes como funcionários fantasma em cargos públicos.

Os diálogos gravados pela Polícia Federal são de novembro, mês em que a Segunda Turma da Corte julgaria o mérito do caso do desembargador. Em momentos da conversa, o então secretário de Segurança Pública fala sobre suas estratégias para livrar o desembargador, citando conversas que teria com ministros como com Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, a quem ele pediria para “dar um toque” em Cármen Lúcia e no então ministro, falecido em 2017, Teori Zavascki.

Onze dias depois da conversa, o caso foi julgado pela Segunda Turma do STF e arquivado.

Leia um trecho:
Carvalho: Aqui, vai ser julgado terça o mandado de segurança?
Moraes: Isso, vai terça, pode ficar tranquilo, viu?
Carvalho: É?
Moraes: Eu tive semana passada, eu até, assim, falei que tava demorando um pouco, acabei encontrando o Toffoli e hoje eu tive com ele aqui em São Paulo, teve um encontro dos presidentes e corregedores de todos TRE’s com ele.
Carvalho: Sei.
Moraes: Eu fui convidado pra dar uma palestra cedinho, bati um papo com ele, então não vai ter novidades.
Carvalho: Certo.
Moraes: Acho que não vai ter problema nenhum, já pro desencargo também redistribuí memoriais, pedi pro pessoal redistribuir e o Gilmar vem hoje à noite aqui para esse encontro também. Aí, eu troco uma ideia com ele. Mas ele me falou que não… Sabe que cabeça de juiz, essa cabeça louca de vocês, né? Mas é bom tirar da frente, quero começar fazer campanha pra você pro STJ, pô!
Carvalho: Pois é, tenho que tirar isso da minha frente, eu preciso.
Moraes: Tem que tirar da frente, senão esse povo começa a encher o saco, né?
Carvalho: é, exatamente, mas você não pode estar lá, né, ou vai estar?

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